Receber uma decisão judicial favorável costuma trazer alívio para pacientes e familiares que aguardam o fornecimento de um medicamento necessário ao tratamento.

No entanto, em alguns casos, surge uma situação inesperada: mesmo após a concessão da liminar ou da sentença, o medicamento não é entregue dentro do prazo determinado pelo juiz.

Diante desse cenário, muitas pessoas passam a se perguntar:

“Se a Justiça já decidiu, por que o medicamento ainda não foi fornecido?”

E mais importante:

“O que pode ser feito para garantir o cumprimento da decisão?”

Neste artigo, explicamos como funciona o cumprimento das decisões judiciais relacionadas ao fornecimento de medicamentos e quais medidas podem ser adotadas diante do descumprimento.

A decisão judicial obriga o fornecimento do medicamento?

Sim.

Quando o juiz determina o fornecimento de determinado medicamento, o ente público responsável deve cumprir a ordem judicial dentro do prazo fixado na decisão.

Essa obrigação decorre da própria autoridade da decisão judicial e deve ser observada pelos órgãos responsáveis pelo cumprimento da determinação.

No entanto, situações de atraso ou descumprimento infelizmente podem ocorrer.

Por que o medicamento pode não ser entregue mesmo após a decisão?

As razões podem variar conforme o caso concreto.

Entre as justificativas mais frequentemente apresentadas pelos órgãos públicos estão:

  • dificuldades administrativas;
  • procedimentos internos de aquisição;
  • problemas logísticos;
  • ausência momentânea de estoque;
  • necessidade de providências burocráticas para cumprimento da ordem.

Independentemente da justificativa apresentada, a existência da decisão judicial exige a adoção de medidas para viabilizar o fornecimento do tratamento determinado.

O atraso no cumprimento pode prejudicar o paciente?

Em muitos casos, sim.

Alguns medicamentos são essenciais para controlar a evolução da doença, evitar agravamentos clínicos ou garantir a continuidade de tratamentos já iniciados.

Por essa razão, atrasos prolongados podem gerar impactos significativos à saúde do paciente.

É justamente por isso que o Poder Judiciário costuma tratar com especial atenção os casos relacionados ao direito à saúde.

O que pode ser feito quando a decisão não é cumprida?

Quando o medicamento não é fornecido dentro do prazo estabelecido, a situação deve ser comunicada ao juízo responsável pelo processo.

Dependendo das circunstâncias do caso, o magistrado poderá adotar providências destinadas a assegurar o cumprimento da decisão.

Entre as medidas que podem ser analisadas estão:

  • reforço da determinação judicial;
  • aplicação de multa diária pelo descumprimento;
  • intimações específicas aos responsáveis;
  • bloqueio de valores para aquisição do medicamento;
  • outras providências adequadas ao caso concreto.

A escolha da medida depende das particularidades do processo e da resposta apresentada pelo ente público.

A multa diária garante automaticamente o cumprimento?

A multa diária, também conhecida como astreinte, é uma ferramenta utilizada para estimular o cumprimento da decisão judicial.

Entretanto, seu objetivo principal não é punir o ente público, mas incentivar a efetivação da ordem judicial.

Cada caso será analisado individualmente pelo magistrado, que avaliará a necessidade e a adequação dessa medida.

O paciente pode comprar o medicamento por conta própria?

Essa possibilidade depende das circunstâncias específicas do caso e da capacidade financeira do paciente.

Em algumas situações, medidas judiciais podem ser discutidas para viabilizar a aquisição do medicamento quando o fornecimento não ocorre conforme determinado.

Por isso, é importante que qualquer providência seja analisada à luz das particularidades do processo já existente.

É importante informar rapidamente o descumprimento?

Sim.

Quando o medicamento não é entregue no prazo fixado, é recomendável que a situação seja comunicada ao advogado responsável para avaliação das providências cabíveis.

Quanto mais rapidamente o problema for informado ao juízo, maiores são as possibilidades de adoção de medidas voltadas à efetivação da decisão.

Como um advogado pode ajudar nessa situação?

A atuação jurídica não se encerra com a concessão da liminar ou da sentença.

Em muitos casos, é necessário acompanhar o cumprimento da decisão, verificar eventuais atrasos e requerer as providências necessárias para garantir a efetividade do tratamento.

A orientação especializada permite avaliar as medidas adequadas para cada situação e acompanhar a execução das determinações judiciais relacionadas ao fornecimento do medicamento.

Conclusão

Obter uma decisão judicial favorável representa um passo importante na busca pelo tratamento necessário.

Entretanto, quando o medicamento não é fornecido dentro do prazo determinado, o paciente não precisa permanecer inerte diante da situação.

O ordenamento jurídico prevê mecanismos destinados a assegurar o cumprimento das decisões judiciais e a proteção do direito à saúde.

Por isso, diante de atrasos ou descumprimentos, é importante buscar orientação adequada para avaliar as medidas cabíveis e garantir a continuidade do tratamento.

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