O avanço da medicina trouxe soluções inovadoras para o tratamento de diversas doenças, e a cirurgia robótica é um exemplo que vem revolucionando a forma como pacientes com câncer de próstata recebem cuidados. Mas apesar dos benefícios comprovados, muitos pacientes ainda enfrentam dificuldades com os planos de saúde para autorizar esse tipo de procedimento.

Neste artigo, vamos explicar de forma clara o que é a cirurgia robótica, por que ela é importante no câncer de próstata e como garantir que o plano de saúde cubra o tratamento indicado pelo médico.

O que é a cirurgia robótica?

A cirurgia robótica é uma técnica minimamente invasiva que utiliza um sistema robótico para auxiliar o cirurgião durante o procedimento. Isso significa que, ao invés de grandes cortes, o paciente recebe incisões pequenas, e o médico consegue operar com maior precisão e controle dos movimentos.

No caso do câncer de próstata, a cirurgia robótica permite:

  • Recuperação mais rápida: menor tempo de internação e retorno mais ágil às atividades do dia a dia.
  • Menor risco de complicações: redução significativa de infecções, sangramentos e necessidade de transfusão de sangue.
  • Preservação das funções urinárias e sexuais: maior chance de manter qualidade de vida após o tratamento.
  • Redução de custos futuros: menos necessidade de próteses, esfíncteres artificiais, medicamentos e fraldas.

Em resumo, além de ser mais segura, a cirurgia robótica também proporciona mais conforto e autonomia ao paciente.

 Por que os planos de saúde negam a cirurgia robótica?

Muitos planos de saúde alegam que a técnica não está incluída no rol de procedimentos da ANS ou não está disponível na rede própria. Isso leva à chamada negativa indireta, onde o paciente até pode ter a cirurgia, mas apenas pelo método convencional, que é menos seguro e eficaz.

Essa negativa não considera a prescrição médica nem os benefícios da técnica para o paciente, e pode comprometer a recuperação e a saúde geral.

 O que diz a lei

No Brasil, a lei é clara: o rol da ANS é exemplificativo, não taxativo. Isso significa que a ausência de um procedimento no rol não pode ser usada para negar o tratamento, desde que:

  • Haja prescrição médica fundamentada; e
  • O procedimento tenha comprovação científica ou seja recomendado por órgãos como a CONITEC, que aprova a incorporação de tecnologias de saúde ao SUS.

Em agosto de 2025, a CONITEC concluiu pela disponibilização da prostatectomia radical assistida por robô para o SUS, reforçando que os planos privados também devem respeitar a indicação médica.

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Como agir diante da negativa do plano de saúde

Se você ou um familiar enfrenta negativa para a cirurgia robótica, algumas medidas podem ser tomadas:

  1. Solicite a negativa por escrito, detalhando a justificativa do plano.
  2. Mantenha o relatório médico completo, explicando a indicação da técnica robótica.
  3. Busque orientação jurídica especializada, pois muitas vezes a via judicial é necessária para garantir a cobertura.
  4. Em casos urgentes, pode ser pedido liminar para autorização imediata do procedimento, evitando prejuízos à saúde.
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Conclusão

A cirurgia robótica representa um avanço significativo no tratamento do câncer de próstata, com benefícios claros para a saúde, recuperação e qualidade de vida do paciente.

Negar esse tratamento por motivos administrativos ou baseando-se apenas na ausência no rol da ANS é considerado abusivo e ilegal, sendo possível recorrer à Justiça para garantir o direito à saúde e à dignidade.

Se você está enfrentando dificuldades com seu plano de saúde, não hesite em buscar orientação médica e jurídica. O cuidado com sua saúde e a preservação da qualidade de vida são direitos que devem ser respeitados.